Coisas nerds/otakus/gamers/geeks a se fazer/ler/jogar/etc antes de morrer! #016 – Kraftwerk

Kraftwerk (pronuncia-se “Kraftvárk”) é um grupo musical criado nos anos 70 cujo estilo eletrônico experimentalista influenciou toda uma geração de entusiastas de música eletrônica pelo mundo, e que ainda influencia e cria ramificações musicais até os dias atuais.
Nascido no fim dos anos 60 no Conservatório Musical de Düsseldorf pela amizade de Florian Schneider e Ralf Hütter, dois estudantes simpatizantes do Krautrock (movimento musical experimentalista alemão da época, onde artistas aplicavam técnicas e idéias pouco ortodoxas para produzir sons e padrões musicais) estes inaugurariam e conduziriam os trabalhos do grupo pelo caminho eletrônico com o uso de sintetizadores analógicos e órgãos.
Seu primeiro trabalho comercial, “Autobahn”, vinha com uma faixa de incríveis 23 minutos de ambientações e atmosferas criadas artificialmente com apetrechos eletrônicos e sintetizadores de forma que o ouvinte tinha a impressão de estar realmente viajando pela auto-estrada alemã (lembro-me até hoje do vinil que eu e meu irmão tínhamos, a faixa ocupava todo um lado do disco!). Outra faixa deste mesmo álbum, “Kometenmelodie 2″, tornou-se um dos primeiros clássicos eletrônicos do mundo. Com o sucesso comercial de Autobahn, a dupla investe no ‘upgrade’ de seu estúdio caseiro, o Kling Klang Studio, e os percussionistas Wolfgang Flür e Karl Bartos juntam-se ao Kraftwerk para o primeiro tour promocional do álbum.
O próximo álbum, Radioactivity (Radio-Aktivität) traria atmosferas etéreas e as primeiras experimentações sônicas, com faixas como “Geiger Counter”, “Radioland”, “Airwaves”, “The Voice of Energy”, “Transistor” e “Ohm sweet Ohm”. O uso de vocoders, sequenciadores e o uso e abuso de moduladores de frequência e osciladores já era presente em todo o álbum – e com base nessa identidade musical o grupo seguiria em diante com composições cada vez mais experimentais, adicionando às faixas trechos sampleados de estações de rádio e TV, toques de telefone, máquinas de telex e computadores em funcionamento, etc. Os próximos álbums seriam “Trans-Europe Express” (referindo-se à extinta rede de trens alemã), sendo “The Man-Machine” o álbum que inauguraria a identidade “robótica” do grupo. Com faixas como “The Robots” (We’re Functioning AutomaTIK and We’re Dancing MechaNIK!), “Spacelab”, “Metropolis”, “The Model”, “Neon Lights” e “The Man-Machine”, o grupo já assumia o visual tradicional nas apresentações ao vivo – os quatro se apresentavam operando os teclados e sintetizadores no palco como se fossem robôs operando mainframes.
“Computer World” é considerado por muitos como o melhor trabalho do grupo. Faixas como “Computer World”, “Pocket Calculator” (I’m the operator with my pocket calculator! bip-bip bipbipbipbip…), “Numbers”, “Computer Love”, “Home Computer” e “It’s More Fun to Compute” eram verdadeiras declarações de amor dos engenheiros pelas suas calculadoras científicas e computadores pessoais, e com as quais os entusiastas de programação do mundo todo se identificaram num piscar de olhos. Várias faixas foram usadas no Brasil na época em comerciais de escolas de computação e background music de documentários de TV sobre assuntos tecnológicos e científicos.
Com o fim dos anos 70 e início dos anos 80 e o advento da próxima geração de sintetizadores programáveis, vários outros grupos de música eletrônica começaram a despontar pelo mundo, fazendo com que o Kraftwerk ficasse um pouco apagado na emergente nova cena eletrônica. Os próximos álbums “Tour de France” e “Electric Café” passaram quase despercebidos pela avalanche de novos grupos que começavam a ser despejados nas billboards americanas e européias. O grupo ainda existe e faz shows frequentes (abriram um show para o Radiohead no Brasil em março deste ano), e a performace no palco emociona os velhos fãs da banda – os robôs operando mainframes ainda estão lá, imóveis e imortais.
Por quê é essencial?
O Kraftwerk inaugurou a música eletrônica moderna. Conhecer a história do grupo é interessante não apenas do ponto de vista musical, mas também pela paixão dos integrantes (e do povo alemão em geral) pela tecnologia, e como esse grupo usa temas conceitualmente ‘nerds’ como telecomunicações, elétrica, eletrônica, robótica e máquinas pesadas e celebra-os em forma de música.
AnarchystBR on August 27th 2009 in Lifestyle


