Coisas nerds/otakus/gamers/geeks a se fazer/ler/jogar/etc antes de morrer! #017 – Dragon Quest

Atualmente o RPG é um dos gêneros mais proeminentes na indústria, com valores de produção e vendas milionárias, mas, curiosamente, a origem dos jogos eletrônicos de RPG’s é tão antiga quanto a própria história dos videogames, apesar da aparente complexidade requerida. Nos anos 70, alguns anos depois da invenção do lendário Pong, alguns entusiastas dos RPG’s de papel e lápis implementaram as regras dos livros em programas de computador na forma de jogos. Esses jogos eram simples em interface e mecânicas, e apesar de não serem viáveis comercialmente, estabeleceram o precedente. Baseados nesses princípios, no começo dos anos 80, surgiram duas séries que iriam estabelecer os fundamentos de todos os jogos de RPG atuais, as reverenciadas séries Ultima e Wizardry. E assim, inspirada nesses jogos, surgiu uma série que iria moldar toda a filosofia de RPG japonês, o chamado JRPG: Dragon Quest.

Dragon Quest é uma das franquias de videogame mais amadas do Japão. Na foto: Luida’s Bar, em Tokyo, um restaurante temático com decoração e pratos baseados na série.
RPG’s japoneses sempre tiveram o estigma de se apoiarem em mecânicas relativamente datadas como encontros randômicos, mas pouco a pouco foram mudando a sua jogabilidade. Entretanto, esse não é o caso com Dragon Quest: enquanto séries como Final Fantasy implementaram mudanças progressivas, DQ manteve relativamente as mesmas convenções em todas os jogos da franquia. Parte disso se deve ao fato de que, ao contrário de por exemplo FF, aonde os diretores, compositores e artistas foram mudando a cada iteração, os nomes principais por trás de DQ sempre se manteram constantes ao longo da sua história. Cuidando do design e do cenário temos Yuji Horii, na parte musical temos Koichi Sugiyama e nos designs de personagens e monstros Akira Toriyama (criador de Dragon Ball), e esse mesmo time se manteve constante durante os 23 anos da série.

A arte de Toriyama é sempre prontamente reconhecível
Devido a essa homogeneidade, Dragon Quest é uma série que é a própria definição de tradicional nos mundo dos games. Mudanças são implementadas de modo incremental milimetricamente, com duas iterações aparentemente iguais entre si, e mesmo depois de nove jogos algumas coisas permanecem inalteradas, como por exemplo alguns efeitos sonoros, que são os mesmos usados há mais de duas décadas e os designs de monstros, que apesar de terem sido transplantados para 3D, ainda tem a arte imediatamente reconhecível. Assim, ao longo dos anos, essa familiaridade ajudou DQ a conquistar o título de série de RPG mais popular do Japão, pois com ou sem crise, cada título é garantia de milhões em vendas.
Apesar de todo esse sucesso na sua terra natal, a série nunca foi muito popular no ocidente. A principal razão dessa divergência é largamente uma fundamental diferença cultural refletida nas mecânicas da série. Dragon Quest é um RPG que recompensa paciência e planejamento, com uma progressão sempre lenta mas constante. Durante o jogo, frequentemente uma nova caverna ou castelo tem inimigos que são muito mais poderosos do que os seus personagens, e assim você é encorajado a enfrentar batalhões de monstros mais fracos até aumentar de level (“grinding”). Isso reflete uma faceta da filosofia oriental que recompensa persistência com a certeza de alcançar o seu objetivo, e esse aspecto é algo que está intrinsecamente ligado à série. Por outro lado, no ocidente as pessoas são encorajadas a serem mais proativas com o objetivo de conseguir recompensas mais imediatas, e por isso a aproximação lenta e deliberada de DQ não caiu no gosto popular. O resultado final dessa divergência foi o surgimento de um gênero mais adequado aos gostos ocidentais, e assim foi criado o WRPG.

Mas essas diferenças não significam q a série é totalmente inacessível para nós do ocidente, muito pelo contrário. Com a disposição certa e uma dose de paciência, certamente você irá apreciar os jogos pelo que eles são: exemplos brilhantes de design, com uma rica mitologia e trilhas sonoras maravilhosas que são uma verdadeira obra de arte. Dragon Quest prova que ser tradicional não significa ser retrógrado, e no meio de tanto artificialismo na indústria atual, consegue ser uma das poucas séries que ainda evoca um sentimento de autenticidade e genuína nostalgia.

Makoto on June 22nd 2010 in Lifestyle



Ichigo
responded on 23 Jun 2010 at 9:08 am #
DQ eh uma das minhas series favoritas, sempre me emociono quando ouço o tema do jogo, pena que ñ saiu ainda a continuação no ps3